sábado, 2 de junho de 2007

Lago das Aflições


E assim Clara seguiu pelo bosque. Com muita coisa na cabeça mas uma só no coração: A vontade de ser feliz!

Tava chovendo. Chovendo muito.
Mas isso não a impediu de pegar sua bicicleta e voltar sabe Deus quando.
Na cesta as lembranças, a saudade...
E quanto mais aumentava a velocidade, mais ilícita ficava a vontade de se desfazer de tudo.
Até que a luz no fim do túnel apareceu.
E dava pra beira do Lago das Aflições, onde se despejava tudo que não queria se guardar.

Parou... desceu... sentou e retirou as lembranças e a saudade da cesta.
Olhou para o lago e sem pestanejar as jogou... e a cada centímetro de profundidade uma lágrima caía e ajudava a afunda-las cada vez mais rápido... e mais rápido... e mais rápido.
Até desaparecerem na imensidão do lago.
Nesse momento ela sentiu uma sensação horrível e retirou seu olhar da água.

Levantou... subiu na bicicleta e seguiu em frente disposta a recomeçar a vida, jurando a sí mesma que nunca mais voltaria naquele lago.


(...)


Ao chegar em casa percebeu que tinha esquecido de tirar o amor da cesta.



© 2007 Miguelito Martinez

Um comentário:

Larissa Minghin disse...

Lindo texto!
Lindo mesmo...

ParaBENs! :o)