Otávio quando criança sempre olhava o videogame na vitrine de uma loja no centro da cidade.
Mesmo estando ali, na sua frente... ao alcance das mãos, parecia muito longe, impossível de se conquistar.
Seu pais, em difíceis condições financeiras, lutavam arduamente para sustentar o lar e nunca sabiam se esse seria mais um ou o último pão de suas vidas.
- Seus pais foram despejados em 1841.
- Seu pai morreu os 59 anos de Tuberculose e sua mãe com graves problemas de saúde acabou falecendo mais tarde.
- Otávio ingressou nas forças armadas em 1900.
E foi nessa vida que completou seus 28 anos.
Estudioso, diciplinado e persistente, jurou a si mesmo que honraria todo amor e carinho recebido de seus pais dando aos seus filhos tudo que ele não conseguiu ter.
Aos 25 anos conheceu Melinda, uma jovem que trabalhava como servente do quartel e cuja vida também era bastante humilde.
Se conheceram, casaram-se e tiveram seu primeiro filho.
Tudo parecia estar bem no lar de Otávio.
Família em perfeita harmonia, trabalho bem sucedido...
Até a vida lhe dar uma rasteira. Na qual ficou deitado, sem ação, movimento... reação. NADA!
Otávio estava demitido.
Sua mulher, ainda servente, não conseguiria sustentar sozinha toda família.
Seu filho com 13 anos, estava tendo dispesas demais na escola e Otávio não conseguia arranjar nenhum emprego.
Rodava, rodava... e não conseguia nada. Absolutamente nada.
Em uma dessas voltas pela cidade, percebeu que estava na frente de uma vitrine onde tinha um videogame.
Passou horas sentado num banco em frente a loja até que chorou.
Chorou por ter sido um fracassado, um incapacitado... por ter que deixar o filho passar por condições tais quais as dele.
Nesse instante um senhor sentou ao seu lado.
Um velho alto, barbudo, de terno preto altamente elegante:
- Bom dia moço! Adelmo, as suas ordens. Se muito lhe pergunto, por que choras?
- Porque sou incapaz de fazer minha família feliz e...
O velho sem querer nem ouvir o restante da justificativa interrompeu:
- O que é ser feliz pra você?
E Otávio com voz chorosa e agressiva disse:
- Ta vendo aquele videogame ali? Pois bem, sonhei durante todos os anos da minha infância te-lo pra mim e não consegui. Me esforcei até arranjar um trabalho onde teria chance de dar ao meu filho, mas fui demitido. Ai como o senhor acha que me sinto? Bem por não poder fazer meu filho sorrir ao menos uma vez na vida?
E o velho bastante decepcionado lhe deu as últimas palavras antes de se levantar e seguir seu caminho:
- Acho que seu filho já tem tudo que qualquer seu humano deseja: O amor familiar. Coisas materiais vem e vão, mas amor de família fica e mais tarde, quando seu filho tiver sua idade, ele não vai mais querer saber dessas coisas. Meu sonho sempre foi ter um videogame, mas também não pude ter. Existem coisas na vida que só podemos adimirar. Tente achar a felicidade nas mínimas coisas e não nas coisas industriais. Felicidade existe, basta aceita-la do jeito que ela é. Para se tirar um sorriso de uma pessoa, basta apenas sorrir para ela.
E foi embora...
Sr. Adelmo era dono de uma fábrica de videogames.
Tinha 78 anos e era deficiente visual desde os 26.
© Miguelito Martinez